quinta-feira, 30 de maio de 2013

Curso de Produção Executiva: Faroeste Caboclo chega aos cinemas








Um dos marcos do rock brasileiro nos anos 80, Faroeste Caboclo, a saga de João de Santo Cristo composta por Renato Russo, um dos maiores sucessos do Legião Urbana, chega agora aos cinemas. Com direção de René Sampaio, o longa traz Fabrício Boliveira (da minissérie Suburbia) como o mítico João de Santo Cristo e a estrela Ísis Valverde em sua estreia no cinema como Maria Lúcia. Marcos Bernstein e Victor Atherino assinam o roteiro inspirado na música de 1979. Philippe Seabra, do Plebe Rude, é o autor da trilha sonora de Faroeste Caboclo, filme que estreia nos cinemas das principais cidades nesta quinta-feira.

Numa narrativa que nos lembra o cordel brasileiro, a letra da música Faroeste Caboclo tem 159 versos que narram a vida de João de Santo Cristo desde a sua infância, na Bahia, à sua trajetória em Brasília. No percurso de sua vida, João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira) encontra caminhos bifurcados e faz suas escolhas, mas para viver o grande amor com Maria Lucia (Isis Valverde) ele precisa encarar seus dilemas e seus conflitos, além do playboy e traficante Jeremias (Felipe Abib), também apaixonado por ela.

Entrevista/Diretor René Sampaio

Como foi sua relação com a música “Faroeste Caboclo” ao longo da vida?
Em 1987, quando ouvi a música pela primeira vez, pensei: vou fazer esse filme. É claro que aos 13 anos isso não parecia um objetivo muito real. Mas eis que, 26 anos depois, estamos aqui falando sobre o filme.

Nessa época, eu ficava em casa nas tardes quentes e secas de Brasília, e esperava a música tocar pra tentar soltar a pausa do gravador no exato instante em que ela começasse, pois ainda não tinha o disco e queria registrá-la em fita cassete.

Era certamente a minha música predileta do grupo naquele ano e a mais tocada na rádio Transamérica, a rádio jovem de Brasília naquele momento. Faroeste Caboclo esteve no topo da lista das mais pedidas todos os dias por mais de 40 semanas seguidas.

Depois juntei uns trocados e comprei o LP, que ainda tenho.

E o filme, como foi a ideia de fazê-lo?
O filme nasceu num jantar com a Bianca, produtora executiva. Ela conhecia meu trabalho com os curtas e me falou que eu precisava fazer um longa. Eu respondi: “Tem um filme que eu gostaria muito de fazer, mas é impossível comprar os direitos”. Não sei exatamente o que ela fez, mas uns 30 dias depois estávamos em Brasília, sentados na sala da família do Renato, fechando o contrato. Marcello entrou logo a seguir no projeto com enorme energia e talento pra formar esse trio que assina a produção.

Você se preocupou em atender as expectativas dos fãs da Legião Urbana que idolatram a música?
O maior desafio ao adaptar essa música foi ser fiel não apenas a todos os eventos, mas conseguir impregnar o filme da emoção que sinto ao ouvir a música. Esse filme é uma resposta emocional à canção.

A minha maior preocupação foi fazer um filme com verdade, e que retratasse uma visão particular sobre a música. Também sempre me perguntei internamente se o Renato gostaria do que estávamos fazendo. Em última instância, é um filme feito por um fã. Espero que seja bem recebido por todos os que realmente gostam e entendem o espírito da música.

O que faz da história de João Santo Cristo uma história fascinante para um filme?
O filme tem um recorte muito particular: a história de amor. Foi o que primeiro me chamou a atenção, e a verdadeira virada dramática do personagem que busca largar o crime para viver ao lado de Maria Lúcia. Além disso, essa saga moderna e brasileira, de um homem pobre, negro e migrante buscando a sua felicidade e realização ao fugir da sina de ser um ninguém, é uma trajetória muito interessante para esse personagem e foi o fio condutor do roteiro. A parte mais política da letra, em que se canta que ele “queria era falar com o presidente”, está diluída e ao mesmo tempo concentrada no filme, pois acho que é a discussão que emerge da narrativa e que passamos para o público.

Como fazer de João um herói, e fazer o público torcer por ele, mesmo com sua história cheia de violência e conflitos?
O personagem do filme é real e sem estereótipos. É um cara que tenta acertar na vida e toma algumas decisões certas e outras erradas. Não tivemos a preocupação em dourar a pílula, até porque um bom personagem principal não é o que faz o que é correto, mas aquele do qual você acompanha a trajetória, admira a busca, se identifica com as contradições e segue de perto, mesmo não concordando com todas as suas opções.

E a escolha dos protagonistas? Como você chegou no Fabrício Boliveira para o papel de João de Santo Cristo e na Ísis Valverde para o papel de Maria Lúcia?
Para chegar nesse elenco, fizemos um número inacreditável de testes, e por fim duas oficinas de preparação com três atores diferentes para cada personagem.

O Fabrício tem o olhar, a vibração e a respiração do João – e foi o mais difícil de encontrar, pois era um perfil muito específico. Antes dele, passamos por inúmeros testes, com muita gente bacana, mas que não tinha a energia que eu queria dar ao personagem.

Já Ísis e Felipe, cada um à sua maneira, conseguiram se colocar num registro muito interessante para dar verdade e profundidade à Maria Lúcia e ao Jeremias. Ambos não têm absolutamente nada a ver com a personalidade dos seus personagens, e isso tornava ainda mais interessante o trabalho que estávamos desenvolvendo.

A Ísis é um talento, uma estrela, com uma inteligência cênicamuito grande e uma luz própria que nos encanta a todos. O Fabrício dispensa comentários. É um dos melhores atores da sua geração. É talentosíssimo, parceiro, inteligente e se entrega à direção.

fonte: http://www.tribunadabahia.com.br/

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