A China já é dona dos laptops ThinkPad, dos carros Volvo e dos cinemas AMC. Agora ela quer os presuntos da Smithfield.
As empresas da China têm tropeçado nos esforços para construir marcas próprias em áreas que vão dos automóveis aos tênis. Mas, mesmo com alguns percalços, especialmente as dificuldades da Volvo com o fraco mercado automobilístico na Europa, as companhias chinesas têm conseguido manter saudáveis marcas globais existentes, investindo e persuadindo executivos ocidentais a ficar na casa.
"Havia uma preocupação inicial sobre qualidade quando empresas estrangeiras eram adquiridas por empresas de mercados em desenvolvimento, mas esses temores se dissiparam ao longo do tempo", diz Jon Parker, sócio da KPMG na China especializado em fusões e aquisições. Muitas empresas chinesas têm sido capazes de expandir as marcas estrangeiras que compram ao aproveitar suas própria capacidade de produção, racionalizar custos e operações, diz ele.
Essa trajetória oferece um bom sinal para a Shuanghui International Holdings Ltd. no acordo de US$ 4,7 bilhões para adquirir a Smithfield Foods Inc., que abastece supermercados americanos com produtos de carne suína. A Shuanghui já disse que vai manter a atual cúpula executiva.
Se concluída, a compra será a maior já feita por uma empresa da China nos Estados Unidos. Outros acordos com chineses são esperados para o segundo semestre, tendo EUA, Canadá, Austrália e a Europa como alvos, segundo a KPMG. Cerca de 40 aquisições foram fechadas em 2012 entre firmas chinesas e americanas, por um total de US$ 11,1 bilhões, de acordo com a consultoria.
As empresas chinesas também compraram o estaleiro italiano de iates de luxo Ferretti, a fabricante britânica de cerais matinais Weetabix e a montadora dos famosos táxis pretos de Londres. Os negócios foram motivados em parte pelo desejo de Pequim de que suas empresas conquistem terreno no mercado global e estejam preparadas para abastecer os consumidores da China.
A estratégia de muitas empresas chinesas que procuram criar uma reputação global tem sido a de comprar marcas fortes e de tamanho considerável, em vez de tentar construir marcas chinesas, diz Doreen Wang, diretora de soluções para clientes da firma de pesquisa de marcas Millward Brown, em Pequim. "Aquisições ou joint ventures trazem vantagens tanto para as empresas chinesas quanto para as estrangeiras", diz ela, porque permitem "a construção da marca de uma forma mais sistemática do que começar do zero".
Marcas puramente chinesas têm enfrentado dificuldades. Empresas como a Li NingCo., que aspirava conquistar o mercado global de roupas esportivas, não têm conseguido competir com o sucesso de rivais internacionais. Das 10 marcas mais valiosas do mundo este ano, segundo a Millward Brown, só uma é chinesa. E essa empresa, a telefônica estatal China Mobile Ltd., está firmemente focada na China.
Talvez a maior história de sucesso internacional da China seja a Lenovo Group Ltd.,que em 2005 comprou o negócio de computadores pessoais da International Business Machines Corp. e, com ele, os laptops ThinkPad. No início, a empresa registrou prejuízos e penou com o processo de integração, o que era esperado por analistas, que questionavam se uma empresa chinesa não prejudicaria uma marca que a IBM construiu vendendo computadores para clientes corporativos.
Mas a Lenovo manteve vários executivos-chave, incluindo Arimasa Naitoh, o engenheiro que projetou o ThinkPad. A Lenovo também dividiu sua sede entre Pequim e Cary, na Carolina do Norte, onde a divisão da IBM operava, e tornou o inglês a língua oficial da companhia. O diretor-presidente da Lenovo, Yuanqing Yang, também promoveu expansão em mercados emergentes, especialmente na China, onde a demanda por PCs continuou subindo. Desde que a Lenovo assumiu, as vendas do ThinkPad dobraram e as margens de lucro se mantiveram acima de 5%.
fonte: http://online.wsj.com/
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