Sua quinta edição começa na próxima segunda-feira; a partir desta sexta, o Cine Santander vai exibir, em sessões gratuitas, destaques das quatro primeiras edições
Premiado em Brasília, "Amor, Plástico e Barulho", de Renata Pinheiro, é um dos destaquesFoto: Divulgação / V Festival Internacional de Cinema da Fronteira
Daniel Feix
daniel.feix@zerohora.com.br
No universo de uma, talvez duas centenas – e contando – de festivais de cinema realizados no Brasil, nem todas as iniciativas têm personalidade suficiente para prosperar. Para alcançar relevância, um festival precisa propor algo relevante. E mobilizar uma comunidade em torno de suas propostas.
É o caso do Festival Internacional de Cinema da Fronteira, realizado em Bagé desde 2009. Sua quinta edição começa na segunda-feira no município da Zona Sul. A partir desta sexta, os porto-alegrenses terão uma provinha do evento: durante uma semana, o Cine Santander vai exibir, em sessões gratuitas, destaques das quatro primeiras edições, precedidos por curtas realizados por diretores da cidade fronteiriça, e ainda um ciclo dedicado ao amazonense Júnior Rodrigues, representante da produção "cabocla naïve" da outra ponta do país.
:: Conheça alguns participantes do Festival Internacional de Cinema da Fronteira
Entre o trabalho de Rodrigues e as dezenas de curtas que Bagé passou a produzir desde 2009 está a própria razão de ser do Festival da Fronteira, como explica o diretor artístico do evento, o cineasta Zeca Brito:
– O cinema é um meio de expressão, ajuda a gente a se entender como ser humano. Ter acesso à produção e ver que é possível fazer filmes é um grande objetivo nosso.
Tudo começou como um projeto dentro do movimento para revitalizar o Centro Histórico Vila de Santa Thereza, sítio que viveu seu auge no tempo das charqueadas, sobretudo no início do século 20. Na primeira edição, foram exibidos cinco curtas de realizadores oriundos de Bagé. O festival logo se tornou uma janela para a produção local, apresentando filmes diferentes daqueles vistos na programação do Cine 7, a sala de cinema comercial de Bagé. Ao incorporar as oficinas de realização, definiu mais claramente a sua identidade.
– Este ano, 80 curtas realizados em Bagé e nos seus oito municípios vizinhos foram inscritos. Selecionamos 48, num total de quase sete horas de mostra – vibra Zeca.
A mostra à qual ele se refere é um dos três eixos do festival. Os outros dois são as mostras universitária e internacional. Esta última, na quinta edição, teve a programação moldada a partir de títulos dirigidos por mulheres e vindos do Brasil, de Portugal e do continente africano (veja destaques ao lado e a programação completa emfestivaldafronteira.com).
Júnior Rodrigues não está entre os oficineiros convidados deste ano. Mas Jean-Claude Bernardet, o decano da crítica que indicou o cineasta amazonense, aproximando-o de Bagé, já confirmou presença.
Jean-Claude, que é o responsável pela frase mais marcante sobre o evento ("Em termos de surrealismo, Bagé e sua vizinha Aceguá deixam Buñuel e Fellini no chinelo"), vai coordenar dois encontros com professores de cinema. O objetivo é descrito por Zeca Brito como "um sonho" da comunidade em torno do evento: discutir propostas para a criação de um curso de cinema no campus de Bagé da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Interessados, graças ao Festival da Fronteira, não faltam.
Em Porto Alegre
> O Cine Santander exibe uma mostra com destaques de edições passadas do Festival de Bagé, curtas produzidos na cidade e filmes do amazonense Júnior Rodrigues.
> Entre os destaques estão Amor, Plástico e Barulho, de Renata Pinheiro (Brasil, 2013), que estará presente na sessão de hoje, a partir das 19h, e mais Lacrau, de João Vladimiro (Portugal, 2013), I Love Kuduro, de Mário Patrocinio (Angola, 2013), e Ardor Irresitível, de Ava Rocha (Brasil, 2011).
Em Bagé
> Amor, Plástico e Barulho é o filme de abertura, segunda-feira. O de encerramento, no sábado seguinte, é Exilados do Vulcão, de Paula Gaitán (Brasil, 2013). Longas brasileiros, portugueses e africanos recentes terão exibições alternadas com os curtas das três mostras competitivas. As sessões são no Centro Histórico Vila de Santa Thereza.
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