sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Curso de Produção Executiva · Fundo da cultura e a visão de estadista


Capacidade de satisfazer as necessidades de uma sociedade, de forma reconhecida pela maioria de seus integrantes, a vontade política se materializa quando a sociedade se mobiliza em torno de demandas justas e encontra de modo convergente, sensibilidade, visão e determinação por parte do gestor público.

A organização da sociedade agiliza a criação do ambiente necessário para o desenvolvimento da vontade política. Porém, quando a autoridade não possui uma visão estratégica, tem outro tipo de interesse ou simplesmente ignora o significado daquilo que é determinante para o futuro da sociedade, estabelece-se o atraso ou a estagnação.

Durante muitas décadas, a cultura em Goiás foi posta em segundo plano, renegada e desprezada. Esteve completamente distante das prioridades da administração pública. Até que emergiu a vontade política para fazer a mudança, uma revolução do bem, que levou a área cultural goiana a avançar a passos largos, tendo a sua relevância reconhecida como setor estratégico de Estado.

Não são apenas os grandes festivais que surgiram, como o Fica (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental), na cidade de Goiás; o Canto da Primavera, em Pirenópolis e a Mostra Nacional de Teatro de Porangatu ou as edificações monumentais, como o Oscar Niemeyer. Toda a área cultural deixou de ser mera figurante e tornou-se protagonista na agenda do Palácio Pedro Ludovico.

Esse processo de transformação, iniciado em 1999, alcança o seu apogeu com a instituição do Fundo de Arte e Cultura, que teve no último dia 22, o seu primeiro edital, lançado pelo governador Marconi Perillo, o secretário de Cultura, Gilvane Felipe e o presidente do Conselho de Cultura, Carlos Cipriano. Um Fundo que, sem nenhum sofisma, vem ancorar uma gama imensa de ações e políticas públicas implementadas, ao longo de todos estes anos.

Neste seu primeiro ano de vigência, o fundo acolherá projetos que somarão R$ 13,5 milhões, o que corresponde a um terço do percentual total assegurado em lei para a área cultural, que é de 0,5%. No segundo ano, ou seja, em 2014, o valor chegará a R$ 35 milhões. E em 2015, os recursos chegarão ao vigor pleno da lei, cerca de R$ 50 milhões, o que representa, 0,5% totais da Receita Tributária Líquida do Estado.

É a senha que faltava para essa revolução do bem, que implica na conquista da viabilidade dos projetos, da autonomia e da descentralização dos recursos para a área cultural em Goiás, com ética, democracia e transparência. Isso irá proporcionar o fomento às artes visuais, ao circo, à dança, à literatura, à música, ao teatro, ao patrimônio e todas as demais expressões culturais e artísticas. Graças a essa vontade política de um gestor com perfil de Estadista, a área cultural passa a ter um percentual definido de recursos públicos vinculados ao Orçamento.

Por que a cultura nunca havia recebido esse tipo de tratamento? Faltava justamente a vontade política. Alguém que tivesse ousadia para mudar a história. O pregador, escritor e reformador social, James Freeman Clarke, distinguiu: “Um político pensa nas eleições seguintes; um estadista, nas gerações seguintes”. Propiciar que a produção cultural goiana possa dar um grande salto, significa muito mais do que uma forma nova de olhar e tratar a cultura.

Traduz a compreensão exemplar do gestor de que a cultura é um conjunto de referências simbólicas que caracterizam as sociedades, formam identidades e influenciam os nossos fazeres nas mais diferentes áreas. E que, além de suas dimensões estética, moral e sociológica, a cultura também possui uma dimensão econômica e produtiva. Ela soube adaptar-se aos novos tempos, linguagens e formatos da sociedade da informação. Incorporou novos fazeres para se dizer digital, dialogando com a aldeia global para divulgar práticas e manifestações das mais variadas tribos. Assumiu a condição de um dos setores economicamente mais dinâmicos e ativos da nossa sociedade.

A cultura também produz negócios, movimenta a economia, gera emprego e renda. Ela é um grande vetor do desenvolvimento sustentável da sociedade. Além de alimentar a alma, o pensamento e a reflexão, a cultura contribuir para a inclusão social, a modernização e o avanço da sociedade da informação. Ou seja, a cultura é um setor estratégico para o desenvolvimento econômico e social.
(Antônio Almeida, presidente do Conselho de Responsabilidade Social, vice-presidente da Fieg, conselheiro do Cores da CNI, presidente do Sindicato da Indústria Gráfica do Estado de Goiás (Sigego) e Abigraf/Regional Goiás, presidente de honra da Abraxp, diretor-presidente da Editora Kelps).



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